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Por Lucía Wasserman

Aconteceu no ano 1982, que Norberto e Leonardo se encontraram pela primeira vez, suas vidas se cruzaram, especialmente no campo profissional. Norberto era engenheiro e Leonardo arquiteto.

Depois de vários encontros resolveram que seria de interesse mutuo trabalharem juntos e constituir uma sociedade.

Seria uma parceria “sui generis”, pois viviam em municipios distantes,e cada um manteria seu escritorio. O que os uniria seriam  os clientes e os  trabalhos em comum satisfatórios, e num futuro lucrativos.

Norberto mais idoso e experiente, conhecido como bom profissional, poderia ser o pai de Leonardo.  Este era jovem, dinamico e ambicioso, iniciava sua carreira, e muito prometia pelos bons resultados obtidos durante os estudos universitários.

Norberto ficou feliz com a oportunidade que se apresentava  em dar uma nova vida ao seu escritorio, que ultimamente estava “as moscas” . Queria reviver os velhos  tempos das “vacas gordas”, quando o trabalho era intenso, o movimento dos clientes e empregados se comparavam a uma colmeia de abelhas. Todos ocupados, todos produzindo, a conta no Banco crescendo.

O acordo de constituir a “Construtora Arcoiris” foi festejado e comemorado com um rico cocktail no escritorio de Leonardo em São Paulo. Conhecidas personalidades no campo imobiliário foram convidadas. A inteligente propaganda e o bom nome de Norberto foi um chamariz a antigos e novos clientes.  A Firma foi crescendo.

Leonardo casado, pai de tres filhos era o mais procurado. Alto, charmoso, de boa conversa, e culto, ademais do trabalho na construtora, tinha uma vida academica intensa, na Faculdade de Arquitetura . As pessoas o respeitavam e o temiam por tratar-se  de personalidade autoritária, impaciente, que a qualquer erro ou deslize de seus subalternos reagia aos gritos e  tinha acessos explosivos de raiva.

De uma familia modesta seu sonho era trabalhar muito, enriquecer rápido, e se aposentar cedo para poder gozar a vida.

Dois anos depois da Firma constituida, as obras crescendo em numero e altura, conseguiu comprar uma bela mansão com piscina, num bairro exclusivo, de alto padrão, onde a familia gozava de uma vida com festas, viagens, recepcões.

Norberto na sua modestia, vivencia  e sabedoria de anos olhava o socio e se perguntava:

-Onde ele quer chegar…

E a vida tem seu rumo.

Uma antiga foto da a familia de Leonardo é a foto de uma familia feliz!

A jovem e linda esposa Mariana é “capa de revista”. Os tres  filhos são

“principes” da coroa Inglesa.

Na realidade, a vida conjugal do casal era um amarranhado de brigas, e violencia. Leonardo era extremamente ciumento, controlava a mulher obsessivamente, talhava sua liberdade, e tambem a agredia. A pesar disto, ambos faziam de tudo para manter” façon “e encobrir as aparencias.

Mariana vinha de uma abastada familia e com a morte de seu  pai, Leonardo com a justificativa de defender a esposa e proteger-la do rival cunhado, apoderou-se de parte da sua herança e fazendo uso de uma procuração, sem ela saber, comprou vários imoveis, colocando-os numa Offshore.

Paralelamente a Firma progredia. Apos a colocação da pedra fundamental de um novo projeto, Norberto e Leonardo comemoravam e ralaxavam, regados com  um bom wiskei e um jantar a dois, num dos restaurantes famosos da louca metrópole.

Foi num destes festivos encontros que o telefone de Leonardo tocou.

Ele foi surprendido com a noticia de  que Mariana estava hospitalizada em estado grave, vítima de uma dose enorme de barbituricos. De nada valeram os esforços dos medicos e enfermeiros em tentar que voltasse a si. Horas depois ela faleceu.

Um grande numero de pessoas acompanhou o féretro que conduzia o corpo de Mariana enterrado ao lado do pai. Leonardo profundamente pálido, disfarçava seus sentimentos trás grande óculos escuros. Os tres jovens filhos unidos na profunda dor choravam, se abraçavam e consolavam-se mutuamente.

Algumas semanas depois, Leonardo refeito do choque voltou ao trabalho na Construtora, na vida social e na boemia que tanto apreciava. Agora, rico e viuvo, era cobiçado pelas mulheres, e elas

não faltavam.

Com o tempo, o fragil elo que unia os filhos universitários ao pai Leonardo foi-se rachando. Ocupado no trabalho e em viagens ao exterior ele não tinha tempo, nem paciencia para se dedicar a eles. Não dava, mas deles exigia atenção, respeito e carinho. Se sentia explorado pelos filhos que a toda hora necessitavam e exigiam ajuda e dinheiro

“Onde esta o dinheiro de nossa mãe?” perguntavam, “ela afinal herdou uma bela fortuna”.

“Que bobagens estão inventando” respondia impaciente, e afirmava  categoricamente:  “O pai dela não deixou nada..nada..nada,  são tudo  especulações das mas linguas”.

Assim eram os diálogos e os encontros. A animosidade pairava no ar, cimentando e se avolumando.

As mas relações familiares e todo o ocorrido, tornaram Leonardo um homem solitário, ápatico, rabugento, sujeito a longas crises de depressão.

“Saia, viaje va se distrair, Arcoiris é hoje uma potencia,caminha por si so.. concedo-lhe merecidas ferias…” insistia Norberto dando-se conta do mau estado psiquico do sócio.

Leonardo decidiu por fim viajar. Desta vez so. Queria estar so. Não informou seu destino, nem a data de retorno.

Poucos dias todos os meios de comunicação divulgavam a noticia de que o corpo do sucedido empresario da Construtora Arcoiris, Leonardo, havia sido encontrado assassinado com dois tiros, numa praia remota do litoral Baiano.

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