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Por Lucía Wasserman

Minha infância brasileira, país onde nasci, me criei e estudei, foi marcada pelos símbolos de minha terra, tão conhecidos e comentados no mundo a fora.

Terra do Samba, Café, Carnaval e Futebol. Símbolos simpáticos que despertam sorrisos e associações de um país tropical, musical, jovem, alegre, que convida a conhecer, pelas suas características ingênuas e atrativas.

Vivi naquela bendita terra, que meu pai, e tantos outros chamavam “de leite e do mel”, até os meus vinte e seis anos, quando decidi com meu marido fazer Aliah, e participar na concretização do nosso sonho Sionista.

Do Brasil guardo lindas recordações, e uma certa nostalgia quando penso na família, amigos e lugares que deixei.

Afloram a mim vivencias passadas e inesquecidas, como os almoços de Domingo, quando a família toda estava reunida em casa de meus pais.

Já pela manhã minha mãe se encontrava cozinhando o grande almoço tradicional turco, sefaradie, que alimentava a famílias pais e os sete filhos, que se somavam aos convidados atraídos pela deliciosa culinária da dona Aimée.

Era o dia em que ela preparava “pastelicos fritos”, burekitas de “andrajo”, com “guevos haminados”, e frango assado.

Minha casa, grande e espaçosa se enchia de gente, de barulho, e nesta convivência agitada e movimentada, onde nada faltava, nos criamos alegres, travessos, cuja única preocupação era estudar, e conseguir boas notas na escola.

Apos o almoço, invariavelmente, as três horas da tarde, os homens da casa se dirigiam à sala de televisão para assistir o jogo de futebol, sempre aguardado com ansiedade, entre palpites e discussões, dos que eram a favor ou contra o time atuante, e quem seria o vencedor.

O time Corinthians sempre foi o eleito e preferido pela família. Eu como dissidente, nada fã de futebol ,para contrariar a maioria, em sinal de protesto escolhi o time do São Paulo  futebol clube.

E a hora do início do jogo, somente se ouviam as palavras do locutor que falava como uma “auto estrada”. O silencio era total, interrompido pelos gritos incontidos de êxtase, nas horas do gol, ou de lamurias pelo passo errado de um jogador ou o apito de um Juiz injusto, filho da puta!!

Enquanto era transmitido o jogo eu procurava me fugir e me isolar. Buscava um recanto para me concentrar, ler uma revista em quadrinhos, um livro, não aguentava a voz daquele speaker, que se ouvia em toda a vizinhança, e para mim era um verdadeiro suplicio.

E o que dizer das Copas Mundiais?

Dia de jogo era feriado na cidade. Perda de jogo, era dia de luto. E as vitorias? Sim, verdadeiros carnavais, que se iniciavam com estouros de fogos de artificio, e os enormes corços de veículos nas ruas com o esteio das bandeiras do clube vencedor.

A próxima Copa do Mundo programada no mês de novembro de 2022, será realizada no Catar, minúsculo país que jamais participou da Copa do Mundo.

Um país desértico, que foi um dos mais pobres do universo, que se transformou no maior exportador de gás natural e petróleo, e hoje tem o maior PIB per capita do mundo.

Será um evento megalomaníaco de um país de recursos ilimitados.

Os aficionados do futebol não poderão levantar um “Lejaim” para o time vencedor. Não comemorarão as vitorias com bebidas alcoólicas, cervejas, bebidas proibidas pela religião islâmica. As belas mulheres do Catar que assistirão aos jogos, não serão vistas, pois a religião prefere esconde-las sob o ”Hijab” negro, que as cobre dos pês a cabeça.

Será uma Copa do Mundo diferente, diria “Parve”… sem sal e pimenta. Desta vez, quem sabe, me renderei a curiosidade de assisti-la.

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