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Por Lucía Wasserman

A poucos quilometros adiante do kibutz Zikim, uma enorme mancha cinza e negra se movimenta. Homens, mulheres, crianças,caminhões, carroças ,carregados de pertences,atravessam  um estreito corredor, e fogem rumo ao sul, procurando salvar suas vidas e fugir aos ataques de bombas ameaçadoras.

Dos observatórios situados nos pontos altos espalhados junto a Faixa de Gaza, através de holofotes e binoculos eles observam.

Jovens soldados, quase crianças, em seus uniformes verdes,suados e disformes, eles cumprem o serviço  militar no exercito de defesa de Israel.

Dezenas de olhos e corpos cansados observam o movimento naquela área,  durante a noite “ branca” de vigília.

Foram advertidos a abandonar suas casas para conseguir sobreviver, e agora caminham em direção ao sul. São milhares, uma gigantesca salamandra em movimento.

Sos ou em grupos silenciosos, percorrem areas de terras cinzentas, agrestes,amareladas, vizinhas ao mediterraneo tão azul e convidativo, testemunha de uma historia milenar de lutas e combates entre homens de diferentes crenças.

Madrugada de Outono. A aurora resiste o amanhecer, e a luz do dia ainda se esconde atrás de pesadas nuvens. Munidos de grandes baldes plásticos, vasilhas deixaram suas casas na noite escura, acompanhados de seus  familiares, crianças e idosos, alguns  com um pequeno rebanho, e se dirigem ao ponto de encontro, onde a UNRA lhes dara proteção, comida e água e onde pacientemente aguardarão o cessar de fogo.  

A longa marcha é interrompida quando são surprendidos e dois farois ameaçadores de um jeep militar dos combatentes do Hamas envolto numa cortina de areia se aproxima. O comandante  freia o veiculo  bruscamente e se coloca frente a multidão em movimento.

Todos param assustados.

-Para onde vão? Grita o terrorista, pulando de seu  jeep, e se dirigindo a eles com agressividade. Dois  ajudantes o acompanham. Todos empunhando suas armas contra a multidão errante.

Receoso e humilde o idoso “xeque” vestindo uma galabia branca, se aproxima ,e responde

– Vão bombardear nossas casas, fomos avisados para deixa-las.Queremos viver , proteger nossas familias ameaçadas…,

-Mas voces não sabem que esta é uma área militar e é proibido circular por aqui? Pergunta o militar gritando querendo demostrar autoridade. Não tem para onde fugir…daqui ninguem irá adiante. Retornem e voltem para suas casas…

-Não temos forças , estamos ameaçados…responde o pobre homem,  em panico

-Como não? E todas as áreas vizinhas?

-Optar por voltar e se render , queremos viver, eles anunciaram que vão atacar…destruir nossas casas, e nossas vidas…

-E que importa? Pergunta o terrorista  agressivamente, irritado e impaciente. Para trás, para trás banda de vagabundos… Voces caminham em área militar, aqui não se admitem civis, medrosos , covardes como voces,maricotas que tem medo de Judeus… e ainda mais este monte de gente   faminta e mal cheirosa que emporcalha a nossa área.

-Saiam daqui imediatamente ! Fora, fora…e dirigindo-se aos acompanhantes comenta

-Eles são como hervas daninhas, nos as arrancamos e  voltam a crescer…temos que nos livrar deles como nos livramos de ratos…

Inconformados, feridos moralmente, e sem força para retornar, eles se espalham, mal e mal se acomodam no pequeno espaço,e sob o  sol de outono, suas vidas injustiçadas, expostas a um incerto e triste destino.

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