Cenário: O alarme ecoando. Shoshana e Ilana vizinhas idosas, residentes no 7 andar de um antigo edifício na cidade de Tel Aviv, procuram correr ao abrigo no subsolo.

Ansiosas se encontram.

–          Ilana! Ilana! Você ouviu a sirene?

–          Claro, agora so durmo com meu aparelho auditivo

–         Estava dormindo como um anjinho quando o alarme me despertou.       

Que Merda!

–         E eu mal tive tempo de vestir meu roupão e calçar as meias…faz frio!

–        Segura meu braço… o elevador está demorando

–          Elevador? Em sirene você quer elevador? Quer morrer com conforto?

–         Com conforto sempre! vivi demais, mas ainda espero que não tenha chegado a   mina hora.

–       (descendo as escadas devagar) Um, dois…meu joelho!

–       E meu coração? Cada sirene eu acho que é a última…

–       Chegamos graças a Deus … e aos meus sapatos ortopédicos

–       Você trouxe comida?

–       Trouxe chocolate, mas não compartilho com vizinhos hostis

–       Eu trouxe salgado

–       Equilíbrio nutricional no Apocalipse!

O refúgio se encheu de moradores. Alguém riu. Outro respondeu uma piada. Em poucos minutos o local estava cheio de vozes. Altas, sobrepostas, quase festivas.

Falavam do absurdo, do susto, e da rotina interrompida.

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